quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Não serei o mesmo pra SEMPRE!

Não me dêem fórmulas certas, porque eu NÃO ESPERO ACERTAR SEMPRE. Não me mostrem o que esperam de mim, porque VOU SEGUIR MEU CORAÇÃO. NÃO ME FAÇAM SER QUEM NÃO SOU. Não me convidem a ser IGUAL, por que sinceramente SOU DIFERENTE. NÃO SEI AMAR PELA METADE; NÃO SEI VIVER DE MENTIRA; NÃO SEI VOAR DE PÉS NO CHÃO. Sou sempre EU mesmo, mas com certeza não serei o mesmo pra SEMPRE!

Átila

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Quero ser igual a todo mundo e chorar...

Quero um pedacinho de tempo para poder descansar esse peso do mundo que estou sentindo em meus ombros... Um tempo onde não me perguntem nada, nem me peçam nada, apenas me permitam o direito de dar vazão ao pranto que venho engolindo com o café-da-manhã, enquanto visto a máscara de "olhem como sou valente e forte"!

Quero ser a criança que pode chorar livremente até que me ponham no colo, restabelecendo assim, o equilíbrio que necessito para dormir em paz. Quero me aventurar na busca dos sonhos, sem ter que vê-los pintados com as cores do desânimo, ou coloridos com as cores do impossível... e quero poder brincar com meus sonhos como se fossem massinha de modelar ilusões.... lambuzar neles meus dedos, até decidir quando precisam se desfazer... Quero ter companheirismo também nas horas em que tudo parece ter se perdido, e encontrar apenas um ombro onde possa repousar meu cansaço, um ombro que seja silêncio e carinho.

Quero deixar que me invada toda a dor do mundo neste instante, porque ela é minha, real e única, e que como tal seja aceita e compreendida... mesmo que eu ainda não saiba lidar com ela...

E quero poder dizer: - Está doendo sim!

Sem assustar ninguém, causando uma revolução tão grande que meu mundo pareça ainda mais desabitado. Seria possível? Daqui a pouco tudo vai parecer diferente e novo, eu sei. Vou secar os olhos e vou à luta outra vez e da dor hei de ressurgir mais forte... Porque sou noventa e nove por cento matéria que dificilmente se desintegra.

Então, por favor, por um momento apenas, neste meu pequeno momento humano, neste "por cento" de fragilidade, quero ser igual a todo mundo e chorar...

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Da janela lateral do quarto de dormir...

Mesmo você não me vendo, estarei te olhando. Mesmo não te tocando, estarei te sentindo. E por onde você estiver passando estarei te seguindo. Nos teus olhos eu me vejo. Com teu sorriso eu me encanto. No teu corpo está o meu desejo. Em tua alma os meus sentidos!

A tristeza pode ser intensa, mas jamais será eterna. A felicidade pode demorar a chegar, mas o importante é que ela venha para ficar e não esteja apenas de passagem.

Agora fico aqui, sem saber o que fazer com tantos sentimentos brigando dentro da minha cabeça. Na verdade não entendo como certas coisas simplesmente acabam ...vc foi pra mim tudo q nunca poderia ter sido...

É difícil dizer “oi” quando a vontade é dizer “te amo”; é difícil dizer que te esqueci quando você esta cada vez mais em meus pensamentos; é difícil querer-te quando não da pra te olhar; é difícil ter o máximo de esperança quando não há o mínimo de possibilidade; é difícil te ver e não poder te tocar; é difícil te amar...

Difícil não é lutar pelo que mais se quer, e sim desistir do que mais se ama. Não penso em desistir de vc por não ter mais forças para lutar, e sim por não ter mais condições de sofrer!


Átila

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

O tempo não é algo que se possa voltar atrás...


"Depois de um tempo, aprendendemos a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. Aprendendemos que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começamos a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. E aprendemos que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam... E aceitamos que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso. Descobrimos que se leva anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante, das quais se arrependerá pelo resto da vida. Aprendemos que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distancias. E que o que importa não é o que temos na vida, mas quem temos na vida. Aprendemos que o tempo não é algo que se possa voltar atrás..."


(William Shakespeare)

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

ADOLESCENTES SÃO ALVO PREFERENCIAL DE GRUPOS DE EXTERMÍNIO


BAIRROS POBRES DE MACEIÓ CONCENTRAM MAIOR NÚMERO DAS VÍTIMAS DE CRIMES ASSOCIADOS AO TRÁFICO DE DROGAS

Matéria do site: Alagoas 24 horas

“Quase todo dia um adolescente é assassinado na periferia de Maceió”. A afirmação feita pelo coordenador em Alagoas do Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua, Átila Vieira Correia, traduz uma realidade que já foge ao controle de organismos oficiais e entidades especializadas na defesa dos direitos humanos na capital.

Os dados reunidos extra-oficialmente pelo coordenador, a partir de levantamentos feitos junto a ONG’s, IML e notícias divulgadas por veículos de comunicação do Estado, indicam que os crimes característicos de extermínio ocorrem com maior freqüência em bairros como Vila Brejal, Bom Parto, Clima Bom, Village Campestre e outros conjuntos periféricos da região do Tabuleiro do Martins.

As vítimas têm entre 15 e 25 anos e as mortes estão geralmente associadas ao tráfico de drogas. “Infelizmente não conseguimos quantificar o total destas mortes”, diz Átila Correia, reclamando a falta de investimentos em pesquisas e estudos qualitativos sobre a situação.

Autor do dossiê “Ruas Lavadas com Sangue”, relatório histórico sobre a violência sofrida por meninos e meninas de rua – documento que reúne relatos e uma lista com nomes e apelidos de 105 crianças e adolescentes mortos ou desaparecidos durante 12 anos em Maceió –, Átila Vieira Correia acredita que a impunidade ainda predomine como fator decisivo para estimular a prática de novos crimes.

Por acompanhar inúmeros casos de perto e saber que, a apuração destes crimes geralmente segue um curso linear na polícia, o coordenador do Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua em Alagoas fez questão de documentar a violência que resulta no desaparecimento e morte de crianças e adolescentes em situação de abandono.

“Se compararmos a realidade de meninos e meninas de rua com a de jovens e adolescentes mortos na periferia, veremos um crescimento absurdo da violência nos bairros. Entretanto, embora esses crimes ocorram fora do contexto das ruas, as características de extermínio permanecem as mesmas”, diz Correia.

ARMAS DE FOGO
Entre os casos documentados no dossiê divulgado por Átila Correia, há dois anos, 40% representaram crimes com vítimas de armas de fogo. “Nos casos de desaparecimento e na maioria dos crimes onde foram utilizadas armas de fogo, as ações caracterizaram-se como sendo provenientes de grupos extermínio”, destacou.

Muitos dos depoimentos anônimos, reunidos no dossiê de Átila Correia revelaram um universo desprotegido, onde romper o silêncio quase sempre significou ignorar as regras de sobrevivência nas ruas.

“O que também causa bastante revolta nos casos de extermínio de crianças e adolescentes, é que são raros os casos em que os autores materiais e intelectuais são identificados, presos e condenados”, diz o autor do dossiê.

O BANHO DOS ELEFANTES

Desta vez resolvi homenagear meus amigos queridos com esta foto que ficou internacionalmente conhecida como O BANHO DOS ELEFANTES. Nela estão: Ricardo com sua sunga azul (pelo tamanho não sei se é dele ou de algum dos seus sobrinhos), Graça exibindo seu corpinho de toper branco, Josi limpando o nariz que estava escorrendo, Telma de corpete preto no melhor estilo Tiazinha e esta figura de costa sendo puxado por Telma, que no momento não consigo identificá-lo!!!
A estas figuras e artistas tão importantes na minha vida, dedico este texto lindo do Marcos Lara Resende:

AMIGOS LOUCOS E SÉRIOS

Meus amigos são todos assim: metade loucura, outra metade santidade. Escolho-os não pela pele, mas pela pupila, que tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.

Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim. Para isso, só sendo louco. Louco que senta e espera a chegada da lua cheia. Quero-os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.

Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta. Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. Pena, não tenho nem de mim mesmo, e risada, só ofereço ao acaso.

Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.

Não quero amigos adultos, nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice. Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto, e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou, pois vendo-os loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que a normalidade é uma ilusão imbecil e estéril!!!

domingo, 27 de janeiro de 2008

Calar ou morrer

Matéria publicada na Revista Paulista: Viração


A primeira agressão aconteceu em um sábado, 26 de maio deste ano। Depois de ter participado durante todo o dia de um curso promovido pela Escola Quilombo dos Palmares (Equipe), Átila se dirigia para a casa quando percebeu que um carro o seguia। “Eu tomei a iniciativa de dar tudo o que tinha no momento, querendo acreditar que se tratava de um assalto”, lembra. Átila foi agredido com socos no estômago até não mais conseguir permanecer em pé.

No dia 17 de maio de 2005, uma operação da Polícia Federal (PF), no Estado de Alagoas, desbaratou uma quadrilha formada por prefeitos, secretários municipais, ex-prefeitos, ex-secretários e um deputado estadual, que atuava no desvio de recursos da educação, especificamente daqueles destinados à compra da merenda escolar. Dois anos se passaram e nenhum dos envolvidos foi julgado. Todos permanecem em liberdade. Os prefeitos, presos ou indiciados na época, não chegaram a ser investigados e ainda não há previsão sobre a data de julgamento do caso, cujo processo encontra-se no Ministério Público Federal (MPF) da 5ª Região, em Recife (PE).

As histórias acima são verídicas e transformaram a vida de Átila Vieira Correia. Segundo ele, os grampos feitos pela PF revelaram o envolvimento da quadrilha com exploração sexual, de maneira que cada autoridade que aderia ao esquema recebia uma adolescente como “prenda sexual”. Membro da coordenação do Fórum Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, em Alagoas, e militante há dez anos, Átila foi o responsável pelas denúncias desta ligação, feitas ao Ministério Público Estadual (MPE) de Alagoas, à Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa e à imprensa. Ele já foi vítima de dois espancamentos e tem sido constantemente ameaçado. “É um eterno medo”, desabafa.

A PF se negou, na ocasião, a investigar as denúncias de exploração sexual com o argumento de que o foco das investigações era o desvio de recursos destinados à merenda escolar. Por esta razão, Átila solicitou ao MPE que fossem requisitadas as cópias das fitas contendo os grampos telefônicos, para tomar as devidas providências. “Fomos recebidos pessoalmente pelo Procurador-Geral de Justiça, o senhor Coaracy Fonseca, que se comprometeu, na época, a designar um procurador específico para apurar o caso. Apesar das cobranças, inclusive pelos meios de comunicação, nunca obtivemos uma só resposta do MP alagoano sobre o caso”, conta. Procurado pela Vira, Coaracy se pronunciou através de sua assessoria: “O que o senhor Coaracy Fonseca tem a dizer é que ele está aguardando as peças, referentes à denúncia, do então desembargador Marcelo Navarro, e que, até agora não obteve resposta”. Marcelo Navarro afirma desconhecer o caso. Em resposta a esta afirmação, o MP alagoano disponibilizou uma cópia do ofício referente à solicitação, enviado ao desembargador em 16 de junho de 2005.

Segundo a Promotora de Justiça, Doutora Marluce Falcão, integrante do Grupo de Combate às Organizações Criminosas (GCOC) e coordenadora do Núcleo de Direitos Humanos do MP de Alagoas, foram solicitadas informações à Procuradoria Regional Federal sobre supostos crimes envolvendo exploração sexual em Alagoas. Ela diz ter solicitado, inclusive, as gravações que conteriam as provas dos crimes. Entretanto, até hoje não recebeu resposta alguma.

CEMITÉRIO CLANDESTINO
Átila conta que começou a receber ligações anônimas depois de dar uma entrevista para o Jornal da Manhã, da TV Pajuçara. Nesta ocasião, além da Operação Gabiru, Átila tornou público outro caso de exploração sexual no Estado. Desta vez, envolveu o proprietário de uma das mais tradicionais redes de prostituição da capital, Maceió, que, durante muitos anos, fora repórter policial, sendo, segundo Átila, uma pessoa influente, já que prestara serviços a autoridades do Estado. “Tornei pública essa informação, que durante anos circulou nos corredores e nas conversas informais, e que dava conta da existência de um cemitério clandestino nos fundos deste prostíbulo, onde eram enterrados fetos provenientes dos abortos a que eram submetidas as mulheres e adolescentes exploradas sexualmente”, revela.

Este jovem cidadão, hoje com 30 anos, pede justiça, acima de sua própria vida. “Nós pensamos na possibilidade de oferecer proteção policial, mas ele não quer. O que ele quer é que essas denúncias sejam apuradas e os processos instaurados”, conta Estela Guerrini, coordenadora-geral do Programa de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH/PR). Ela explica que foram encaminhados ofícios a algumas autoridades, como por exemplo, o Ministério Público e a Secretaria de Defesa Social de Alagoas, solicitando mais informações sobre o andamento das denúncias, porém, até o momento, não há resposta a nenhum deles. “Apurar as denúncias também é uma forma de proteger o defensor, porque deixa claro que os criminosos não vão ficar impunes”, conclui.

Quando questionado sobre a possibilidade de abandonar a militância, Átila reproduz um trecho de um dos supostos grampos feitos pela Polícia Federal, que mostra uma conversa entre um cafetão, que prestava serviços à quadrilha, e uma das autoridades denunciadas:

“Cafetão: - Eu já arrumei a menina para o senhor! Autoridade: - Quantos anos tem essa menina? Cafetão: - Tem 15 anos! Autoridade: - Porra, meu irmão, eu não já falei para você que 15 anos para mim já é puta velha? Eu quero uma menina de no máximo 12 anos!”

E é enfático: “Tem gente que escuta isso e finge que nada aconteceu. Eu não vejo outra forma de atuar”.

Matéria das Jornalistas: Acássia Deliê, do Virajovem e Amanda Proetti.
Site da Revista Viração: